Onerário

O futuro a outros pertence

Eu sou o escritor
Ou o escrito
Ou a imagem criada por um crítico
Uma unanimidade ou alguém com um público seleto
Conte me poema
O eterno aqui é você
Eu sou carne, músculo, osso e efemeridade
Eu nem gosto do meu rosto

Heráclito de Éfeso considerava a Natureza (o mundo, a realidade) como um “fluxo perpétuo”, o escoamento contínuo dos seres em mudança perpétua. Dizia: “Não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio, porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca somos os mesmos”. Ele comparava o mundo à chama de uma vela que queima sem cessar, transformando a cera em fogo, o fogo em fumaça e a fumaça em ar. O dia se torna noite, o verão se torna outono, o novo fica velho, o quente esfria, o úmido seca, tudo se transforma no seu contrário.
Marilena Chaui
Não me agrada disputar atenção. Eu sempre vou ser a pessoa que perde, entende? A pessoa deixada, substituída, desinteressante. Não, isso não é complexo, não: é estatística. Tenho vida afora muitas provas disso e não reclamo, não interprete isso como uma reclamação. Apenas quero contar que jogo a toalha antes de entrar no ringue, por assim dizer. Jogo o meu corpo para o lado por conta própria antes de levar o soco e precisar de maca, remédios e recuperação. Já nem entro mais nas disputas; eu perdi o ar de tanto tentar.
Camila Costa.    (via luisakehl)
Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar, muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo. Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo e as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo a saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso reconquistar a vida.
Vinicius de Moraes, o verdadeiro poeta brasileiro, tenta resistir à poesia. O poema acima foi extraído do livro “Antologia Poética”, Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 160.
A Dor Tem um Elemento de Vazio

A Dor - tem um Elemento de Vazio - 
Não se consegue lembrar 
De quando começou - ou se houve 
Um tempo em que não existiu - 

Não tem Futuro - para lá de si própria - 
O seu Infinito contém 
O seu Passado - iluminado para aperceber 
Novas Épocas - de Dor. 

- Emily Dickinson

Se ao menos conseguíssemos enxergar a infinita cadeia de consequências que resulta das nossas pequenas decisões. Mas só percebemos tarde demais, quando perceber é inútil.
Quem é você, Alasca?
As coisas não são do mesmo jeito que eram antes. Você nem ia me reconhecer mais. Não que você me conhecesse há uns tempos atrás, mas tudo volta no fim. Eu guardei tudo dentro de mim e embora eu tenha tentado, tudo desmoronou. O que isso significou pra mim será eventualmente uma lembrança. Eu tentei tanto e cheguei tão longe, mas no fim, isso não tem mais importância.
LInkin Park.
Há um elo perdido em cada um de nós, alojado no estômago, correndo em nossas artérias, remexendo nossas hipóteses sobre a felicidade. Talvez esse elo seja a nossa própria existência à procura de algum sentido, talvez seja esse vazio abrindo espaço e se moldando ao formato correto. E no decorrer da vida, podemos achar a conexão certa, o encaixe perfeito, a palavra contida, esquecida. Pode ser aquela notícia do jornal de quinta, o disgnóstico da sua esquizofrenia, a visão do alto da praia de Trancoso, a pele molhada do seu corpo (no meu), a paranoia de Roberto Piva, a melodia de Jake, a cor do seu vestido, o vinho, a ferida sem cura, o ajuste de contas, o suco sobre o balcão, as janelas abertas, o céu encurvado sobre o planeta. Olhe para o espelho, reconheça o seu próprio elo perdido, alimente-o daquilo que te faz bem. Reencontre o fio da meada.
Elisa Bartlett.